Inter
Não dá pra deixar passar o que o Pezzolano fez nesta última partida
- O 3 a 1 para o Bragantino foi daqueles resultados que nem permitem muita discussão. Não foi uma derrota construída em detalhes ou decidida por um lance isolado. Foi um jogo em que o Internacional foi dominado durante boa parte do tempo e saiu de campo com a sensação de que o placar poderia até ter sido mais pesado. O gol do Aguirre no fim serviu apenas para diminuir a diferença numérica, porque a impressão deixada em campo foi de um time que esteve distante de competir de igual para igual. Teve gol de goleiro adversário, teve olé da torcida do Bragantino ainda no segundo tempo e teve um Internacional que parecia incapaz de reagir diante das dificuldades da partida.
- E por isso a análise precisa começar pelo treinador. Paulo Pezzolano recebeu muitos elogios quando conseguiu organizar o time e melhorar o desempenho em comparação ao início da temporada. Só que da mesma forma que merece reconhecimento pelos acertos, também precisa ser cobrado quando erra. E contra o Bragantino ele errou bastante. Principalmente pela insistência em uma ideia que já deu sinais de que não funciona.
- O principal exemplo é Alan Patrick. Não se trata de discutir a qualidade do jogador. Ela existe e ninguém precisa provar isso. O problema é que o jeito de jogar do Inter hoje parece incompatível com as características dele. O time de Pezzolano vive de intensidade, transições rápidas, pressão física e velocidade para atacar os espaços. Alan Patrick não é esse jogador. Não importa se aparece mais recuado, como meia ou próximo dos atacantes. Em nenhuma dessas funções ele consegue acompanhar o ritmo que o treinador exige da equipe.
- E isso acaba gerando um efeito em cadeia. O Carbonero também perde rendimento porque não é um jogador de campo aberto que vai e volta o tempo inteiro. Ele rende melhor em espaços curtos, próximo da área, participando de jogadas rápidas. Só que o desenho montado pelo treinador acabou deixando os dois desconfortáveis ao mesmo tempo. O resultado foi um ataque sem conexão, sem agressividade e sem capacidade de sustentar jogadas ofensivas.
- O que mais chama atenção é que os problemas estavam visíveis desde o primeiro tempo. A sensação era de que o Bragantino faria novos gols a qualquer momento. E mesmo assim as mudanças demoraram demais para acontecer. Teve intervalo, teve tempo para corrigir a rota, teve mais de vinte minutos do segundo tempo e nada mudava. Quando as alterações vieram, o jogo já estava praticamente definido. E aí fica difícil não colocar uma parcela importante da responsabilidade na comissão técnica.
- Mas também seria injusto transformar tudo em culpa do treinador. Porque vários jogadores tiveram atuações muito abaixo. O Anthoni não transmite segurança e acabou participando diretamente de um lance que complicou ainda mais a situação. O Carbonero perdeu uma oportunidade clara quando o jogo ainda permitia reação. O Victor Gabriel teve uma atuação extremamente insegura e cometeu erros em sequência. O Borré, em alguns momentos, parecia mais preocupado em discutir com a arbitragem do que em seguir a jogada.
- Talvez esse seja um dos aspectos mais preocupantes da derrota. Em vários momentos o Inter pareceu desconectado da realidade da partida. Como se não entendesse o contexto do que estava acontecendo dentro de campo. Os erros técnicos aconteceram, mas também houve erros de comportamento. E quando os dois aparecem juntos, normalmente o resultado é exatamente esse que se viu em Bragança Paulista.
- O problema é que o cenário começa a ficar perigoso. O Internacional chega à parada com pontuação próxima da zona de rebaixamento e com um elenco que já apresenta limitações conhecidas. É justamente por isso que o treinador não pode oscilar tanto. Quando se tem um grupo curto e poucas alternativas, cada erro pesa mais. Cada escalação equivocada pesa mais. Cada partida desperdiçada pesa mais.
- No fim das contas, o 3 a 1 serve como um alerta importante. Não apenas para os jogadores, mas principalmente para a comissão técnica. Porque o Inter já mostrou que pode competir melhor do que isso. Só que contra o Bragantino apresentou uma versão desorganizada, lenta nas reações e incapaz de corrigir problemas que estavam escancarados desde os primeiros minutos. E quando isso acontece, não existe argumento capaz de suavizar uma derrota que foi tão merecida quanto preocupante.
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