Inter
A estratégia do Inter para conseguir um reconhecimento no administrativo da CBF
- Nos bastidores do Beira-Rio, a informação que circula é que o Inter não pretende entrar na justiça comum para tentar o reconhecimento daquele campeonato. Apesar do presidente da CBF, Samir Xaud, ter dado entrevista dizendo que o caminho seria judicial, a direção colorada trabalha em outra linha. A ideia neste momento é montar um processo administrativo dentro da própria CBF tentando convencer a entidade a reconhecer Inter e Corinthians como campeões daquele Brasileirão.
- E é importante entender uma coisa: o Inter não quer retirar o título do Corinthians. A linha defendida por pessoas ligadas ao clube, especialmente Fernando Carvalho, é a de reconhecer dois campeões. O argumento gira em torno dos 11 jogos anulados na época da chamada Máfia do Apito e das consequências esportivas que aquilo gerou na reta final do campeonato.
- O clube está reunindo documentos, casos semelhantes e exemplos históricos para tentar sustentar a tese. Entre eles aparecem situações como o reconhecimento dividido do Campeonato Paulista de 1973 entre Santos e Portuguesa, além de outros títulos reconhecidos posteriormente pela própria CBF em decisões administrativas. O raciocínio do Inter é simples: se a entidade já reviu situações históricas antes, poderia fazer isso novamente agora sem necessidade de judicialização.
- Outro ponto importante nessa discussão é o relatório de Leonardo Gaciba. O ex-árbitro e ex-chefe da arbitragem da CBF teria analisado partidas daquela época e apontado que não existiram interferências diretas nos jogos do Inter envolvendo os árbitros da Máfia do Apito. O foco da argumentação colorada não está em lances específicos, como o famoso pênalti no Tinga, mas sim no impacto da anulação dos jogos comandados por Edílson Pereira de Carvalho.
- E aí entra uma questão que ajuda a entender por que o clube talvez evite a justiça comum. O caso inteiro sempre foi cercado por versões contraditórias. Edílson mudou diversas vezes o próprio depoimento. Primeiro falou em determinados jogos manipulados, depois mudou a versão, depois minimizou os acontecimentos. Houve inclusive relatos da época de que ele negociava partidas com diferentes grupos de apostadores, embora isso nunca tenha sido comprovado oficialmente. Toda essa confusão acabou levando o STJD a anular as partidas em 2005.
- O Inter entende que justamente essa insegurança sobre o que realmente aconteceu fortalece a ideia de um reconhecimento administrativo. A leitura feita no Beira-Rio é que talvez seja mais viável convencer politicamente a CBF de que houve prejuízo esportivo do que tentar uma longa disputa jurídica tantos anos depois.
- Enquanto isso, o assunto segue repercutindo porque o próprio Samir Xaud acabou causando um pequeno desconforto ao falar publicamente sobre uma suposta ação judicial que, na prática, ainda não existe. A impressão passada foi de que o Inter já teria seguido pelo caminho do STF, algo que pessoas ligadas ao clube negam neste momento.
- No fim das contas, a sensação é que o Inter tenta construir um caminho que evite uma guerra judicial longa e desgastante. Quer reconhecimento sem necessariamente entrar numa disputa direta contra Corinthians ou contra a própria CBF. Mas também fica uma dúvida inevitável: se o clube entende há meses que existe material suficiente para sustentar essa tese, por que ainda não formalizou nenhum movimento mais forte?
- Essa talvez seja hoje a principal pergunta dentro de toda essa história.
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