Grêmio
As três informações do Grêmio que eu descobri após o Gre-Nal
- O Grêmio sai do Gre-Nal com uma ideia mais clara do que quer ser — mas também com alguns problemas bem evidentes dentro desse modelo.
- A primeira informação importante é: esse novo jeito de jogar deve continuar. A estrutura com uma espécie de saída de três, com o Noriega baixando entre os zagueiros, os laterais virando alas e os pontas jogando mais por dentro não foi algo pontual. É caminho.
- E esse caminho tem uma explicação bem direta. Internamente, já existe um entendimento de que o Tetê aberto na ponta não está funcionando. O próprio Luís Castro já falou publicamente que espera mais dele, e nos bastidores a leitura é a mesma: o rendimento está abaixo do esperado.
- Tem alguns atenuantes, claro. O Tetê vem de um calendário europeu, estaria em final de temporada se estivesse lá fora, o que pesa fisicamente. Mas isso não muda o diagnóstico: precisa jogar mais.
- E aí entra uma tentativa clara do treinador de ajustar isso sem mudar totalmente a ideia. Em vez de usar um “camisa 10” clássico, ele traz Tetê e Amuzu para dentro, mais próximos do Carlos Vinícius, tentando criar jogo por ali enquanto os laterais dão amplitude.
- E aqui está um ponto bem importante: o Luís Castro não joga com camisa 10. Esse conceito simplesmente não faz parte da ideia dele. É algo muito mais comum no futebol europeu há anos — um meio com três jogadores e os pontas participando da construção, sem aquele articulador central clássico.
- Só que isso ainda gera estranhamento no Brasil. Por isso, existe até uma tentativa de “comunicação” do treinador, meio que dizendo: “querem um meia? então eu tenho dois — só que funcionando de outra forma”.
- O problema é que, na prática, ainda não encaixou.
- O Grêmio tentou aproximar o time do Carlos Vinícius, mas ele ficou isolado em vários momentos. A criação não fluiu como se esperava, e o modelo mostrou limitações, principalmente na construção.
- E aí entra outro ponto chave: a saída de bola.
- Nesse sistema, os zagueiros precisam saber jogar. Não é opcional. É obrigatório. E a avaliação interna do Gre-Nal foi bem clara: o Viery foi bem nesse aspecto, mas o Gustavo Martins não. Inclusive, um dos lances perigosos do adversário nasce justamente de erro na saída.
- Ou seja, o modelo funciona — mas depende muito da execução técnica. Se um dos zagueiros não consegue construir, o sistema começa a quebrar.
- E não é só atrás que tem ajuste.
- No meio, o Arthur também entra nessa discussão. Ele fez um bom jogo, assim como Noriega e Carlos Vinícius dentro do que foi proposto, mas tem uma questão de característica. O Arthur é um jogador de ritmo mais cadenciado, de jogo curto, de controle. E o modelo do Luís Castro pede outra coisa: transição rápida, aceleração, ataque direto.
- Aí surge uma dúvida importante: como encaixar um jogador com esse perfil em um sistema que pede intensidade e verticalidade?
- Não é um problema simples de resolver. Pode passar por adaptação do jogador ou por ajustes no modelo, mas hoje é um ponto de atenção claro.
- E tudo isso se conecta com a própria lógica do jogo.
- O Grêmio do Luís Castro quer recuperar a bola no ataque, pressionar alto e, quando recupera, sair rápido. Não é um time de posse longa. É um time de transição. E isso ficou ainda mais evidente no Gre-Nal, até pela postura do adversário, que evitou se expor justamente para não dar esse espaço.
- No fim das contas, o cenário é bem direto.
- O Grêmio tem um modelo definido, que deve continuar.
Mas esse modelo já mostrou alguns desafios claros: - o Tetê ainda não entregou o que se espera
a ideia sem um “camisa 10” ainda não encaixou totalmente
a saída de bola depende muito da qualidade dos zagueiros
e o Arthur ainda precisa se adaptar a um ritmo diferente de jogo - É um time em construção, mas com um detalhe importante: agora já dá pra entender exatamente o que o treinador quer. O problema não é mais falta de ideia — é fazer ela funcionar.
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