Inter
Essa história resume como Fernandão tratava a imprensa
O Nando Rocha, um dos caras mais gente boa do Twitter, publicou uma história que, pra mim, resume muito bem o que foi o Fernandão na visão da imprensa.
Fiz questão de deixar ela original, tal qual foi contada no espaço do Twitter:
Esses dias contei aqui, hoje, pela data, vou contar com mais detalhes o dia que conheci Fernandão.
Quando eu tinha 18 anos minha mãe teve leucemia. Meu pai vendeu a microempresa de esquadrias de madeira que tinha pra acompanhar ela no Hospital Conceição durante o tratamento.
Eu era novo, ganhava 240 pila por mês e precisava achar algo pra incrementar a renda. Desde os 15 anos era colunista em um jornal da cidade, então veio a ideia de criar um jornal impresso de esportes. Por vários fatores, o início foi muito difícil.
Seis meses depois, a mãe se curou. O pai retornou com ela do hospital com quase 60 anos e sem emprego. Passou a trabalhar comigo no Jornal, que se tornou o negócio da família. Um dos pilares de qqer negócio é a credibilidade, e eu era muito jovem pra conseguir grandes entrevistas.
Embora a nossa linha editorial fosse esporte amador, eu precisava fazer entrevistas de repercussão pra gente se tornar conhecido e tornar o negócio viável. Passei a frequentar o Beira-Rio e o Olímpico atrás de jogadores profissionais. Mas de bus e com cara de piá era complicado.
Um dia resolvi dar uma incerta na concentração do Inter, um Hotel que não lembro o nome. 2004. Eu e um amigo mais velho que passou a trabalhar conosco e era meu trunfo pra conseguir alguma entrevista. Vi um grupo de jogadores, entre eles, Fernandão.
Fernandão havia chegado há pouco mas já tinha status de ídolo pelo gol 1000 e um grande desempenho. Pensei “se é pra tentar, vamos no maior”. Abordei ele, que nos atendeu gentilmente. Expliquei que era de um pequeno jornal de Gravataí e queria uma entrevista. Tremendo de nervoso.
Ele respondeu: “claro! Falo contigo, sim! Vou subir no quarto e descer alguns pertences”. Longos minutos de espera, até q chega uma equipe da RBS. Era quase 19h. O repórter era o Glauco Pasa. Sem saber do nosso acordo, orientou algum produtor a buscar um jogador pra falar ao vivo.
Quando abriu o elevador, cinco ou seis jogadores ali dentro. Entre eles, Fernandão. Pensei: “fudeu”. O tempinho antes do embarque, logicamente seria pro ‘ao vivo’ da RBS. O produtor (ou o Glauco, não lembro bem) abordou ele pedindo para aguardar ali e dar uma palavrinha ao vivo.
Gentil e gigante como sempre, Fernandão se desculpou com a reportagem e disse: “perdão, eu já havia me comprometido com o rapaz ali”. O rapaz era eu. Um guri com cara de abostado, roupa larga, cabelo espetado, 1,85mt e 55kg, de um jornal que ele nunca tinha visto na vida.
Eu tinha dez minutos pra entrevistar o capitão, mas o susto e o impacto eram tão grandes que eu tava quase travado. Por fim, fiz a entrevista, publiquei no jornal, que hoje é revista e segue sendo o negócio do meu pai, que contribuiu muito pra gente naquele período.
Há 4 anos ele partiu sem saber o quanto um dia me ajudou. A dor que eu ainda sinto é como se tivesse perdido um familiar. Mais do que um jogador, mais do que um capitão, mais do que um vencedor, Fernandão foi um cidadão, um homem de caráter, que deixou mais do taças de legado.
Minha memória me traiu. O ano foi 2005 e pelo menos a capa eu achei. Esqueci de mencionar, mas Moacir Schmidt, que trabalhava conosco, assina a entrevista. Ele nem vai ler, mas foi um cara muito importante pra nós. E olha um dos destaques na capa: Camilo, que surgia no RS Futebol pic.twitter.com/FzwQlkJp6g
— Nando Rocha (@NandoJRocha) June 7, 2018
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