Grêmio
Cristaldo na posição errada, o melhor em campo, o jeito de jogar do Diego Costa e duas coisas difíceis de entender
- O Grêmio está na semi do Gauchão. Vai pegar o Caxias. Agora, engana-se quem olhou o placar e pensa que foi uma vitória fácil. É verdade que, pelo cenário do jogo, dificilmente o Grêmio sairia da Arena sem a classificação. Isso porque, pelo regulamento, o empate já classificava. E o Brasil em momento algum ameaçou. Portanto, a vaga sempre esteve assegurada.
- Mas a gente sempre vê o Gauchão como preparação para coisas maiores. E é justamente pensando nisso que vem o sinal de alerta. O Grêmio pegou um time do Brasil muitissímo bem organizado na defesa e teve enormes trabalhos.
- O primeiro tempo foi duro de ver. O Brasil mal conseguia passar da sua intermediária, mas o Grêmio não conseguia encontrar soluções para a retranca. E vários foram os motivos. Desde os muitos erros de passes, por vezes até tabelas com devoluções muito fortes do Diego Costa e tal, mas também por insistir em jogar centralizado, onde estava congestionado, e não pelas pontas.
- A vitória começou a ser construída com um golaço típico do Cristaldo. Ele é exatamente o que foi nesta partida. O cara que tá apagado, tu tá incomodado com ele e, do nada, o argertino vai lá e mete uma no ângulo do adversário. Digo mais, esse jogo me fez ter quase certeza de algo que já vinha comentando aqui há um tempo. Qual a certeza? Cristaldo não é meia armador. Ele é segundo atacante. Rende muito melhor jogando mais na frente, perto do centroavante. Tá claríssimo isso pra mim. Ele não é o cara que faz o time andar. É o segundo atacante de soluções talentosas com a bola. E isso envolve dar assistência para o centroavante ou até marcar seus gols.
- Um dos graves problemas do primeiro tempo foi a atuação do Pepê. O nível dele na primeira etapa foi terrível. Curiosamente, evoluiu enormemente na segunda. Muito da melhora passou pelos pés dele. Então, penso que temos que refletir o que há com o Pepê nesta temproada. Poxa, o cara começou sendo o novo Maicon e agora está mega irregular.
- Tenho até formulado um pensamento que vale para os dois volantes. Afinal, nem o Villa está com o protagonismo de antes. E, como eu penso que o problema dos muitos gols não é da zaga em si e sim do sistema, talvez o melhor caminho seja colocar um primeiro volante mesmo na frente da defesa. Assim, protegeria o setor e ainda daria a chance de Pepê e Villa armarem esse time melhor. Como eu tenho convicação que o Cristaldo não é meia articulador, joga ele mais pra frente e aposta nos volantes pra armar. Eu faria isso.
- O melhor em campo foi o João Pedro, lateral-direito. A chegada dele no ataque é de muita força. E quando falo isso, lembro das chegadas na linha de fundo, estilo o segundo gol, mas também as vezes que corta pro meio e até chuta de esquerda. Mais uma partida muito boa dele. Nunca vou esquecer que, quando da sua contratação, recebi referências ruins de colegas da imprensa paulista. E estavam todos errados. O JP tá muito bem, vivendo um ótimo momento.
- Diego Costa marcou novamente e foi o que, imagino, será o ano inteiro. O cara que faz pivô e finaliza todas que vem em condições pra ele. É um chuta, chuta. Um finalizador nato. O time precisa jogar pra ele. E, se jogar, tem chance gigante de gol. A ótima notícia é que parece estar em forma e com muita vontade dar certo. É só notar que qualquer lance que a bola não vem pros seus pés a reclamação come solta. O cara fica maluco, pistola geral. Centroavante fominha (no bom sentido) é assim.
- No geral, as atuações do Gustavo Nunes e do Pavón foram boas. Não com o brilho de antes, mas até foram bem. A grande reflexão a fazer é saber como fazê-los funcionar quando não há muito espaço para atacar. Ambos são da velocidade. E isso não tinha desta vez, já que o Brasil estava fechado. O Pavón ainda melhorou sua atuação sendo protagonista na jogada do segundo gol. E isso mostra que tem repertório. Só que ainda vale a reflexão do que fazer quando não há espaço para ganhar na velocidade.
- Não achei nada muito especial na partida do Mayk, lateral-esquerdo recém contratado. Pelo contrário, penso que foi até bem ok. Meio óbvio que não temos como ser definitivos, mas fica o registro. Por outro lado, me empolguei com os poucos minutos do Wesley, da base, em campo. Em pouco tempo, estava tabelando com o Gustavinho e até tocando bola pro meio da grande área. Sei não, hein? Penso que o futuro está no Wesley. Vamos aguardar as próximas chances dele.
- Tem duas trocas que não consigo entender. A primeira é tirar Kannemann pra pôr o Dodi. Renato vai todo o jogo ficar com um volante de zagueiro? Seja Dodi ou Villa, não importa, sempre faz isso. Pra que?
- A segunda troca é a entrada do JP Galvão! Jogo na Arena é só pro cara ser vaiado. Menor sentido. Não faria isso.
- Aliás, Renato meteu o André Henrique em campo também e ele errou um muito feito. Era só escolher onde bater. Bola limpa, pra guardar. Centroavante que custou mais de 1 milhão de euros precisa finalizar. A TV até flagrou o Renato pistolando por isso.
- Enfim, o Grêmio tá na semi. Passou. Mas passou em um jogo que merece várias reflexões. Inclusive como evoluir seu futebol diante de uma retranca. A gente sabe que isso sempre se repete depois em algum cenário do Campeonato Brasileiro.
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